Resenha - Kenobi, de John Jackson Miller

Olá leitores, tudo certo?


Sei que na última resenha, eu disse que não gostava de protagonista passivos – vocês sabem aqueles que não se movimentam para avançar o enredo, mas cujo enredo acontece contra eles. Entretanto, Kenobi, de John Jackson Miller, o protagonista é passivo, mas feito da maneira correta. Há uma razão para ele não procurar pelas confusões na qual se envolve e, ainda, quando é preciso que ele aja, ele age.


Kenobi é um livro que faz parte da linha Legends, portanto, não é canônico no universo de Star Wars pós-Disney, mas isto não muda o quão bom este livro é – e que ele respondeu uma pergunta importante: por que Obi-Wan continuou usando o sobrenome Kenobi, sendo que estava se escondendo? Bem, ele não escolheu. Alguém o ouviu meditando em voz alta, enquanto ele tentava falar com Qui-Gon, seu antigo mentor. Alguns dos termos que uso na resenha são específicos do universo, então, se não está familiarizado com Star Wars, algumas coisas não farão tanto sentido.


Hoje, realizaremos a resenha de Kenobi, por John Jackson Miller.

A história de Kenobi começa logo após o fim de A Vingança dos Sith, literalmente. Vemos ele fazendo uma pausa em bar em Mos Eisly – a mesma onde encontra Han Solo em Uma Nova Esperança – para descobrir a localização da fazenda dos Lars, família no bebê Luke que ele carrega. Depois de deixar a criança, ele se muda para a cabana onde o encontramos na trilogia original.


Contudo, várias páginas se passam antes de vermos Kenobi pela segunda vez. Neste interim, conhecemos uma série de personagens interessantes. Começamos com A'Yark, uma Tusken, líder das pessoas de areia. A'Yark está no meio de um ataque a uma fazenda de umidade, inclusive matando um de seus moradores, colocando-se assim como a principal antagonista.

No lugar chamado Oasis – um lugar onde há comércios, mecânicos e a base do Chamado dos Colonos, que é o centro de uma comunidade de fazendeiros deste lado do Deserto de Jundland – somos apresentados a Orrin Gault e Annileen Calwell, além de outros personagens únicos e muito coloridos. Mas são nesses dois que a história foca.


Orrin é um empreendedor e fazendeiro, líder da comunidade, ele criou o Chamado dos Colonos – uma série de alarmes sonoros postos no topo de vaporizadores; quando um desse toca, um grupo de milicia se reúne no Oasis, se armam e parte para ajudar a fazenda atacada. Orrin é gente boa, sempre vendo o que a comunidade mais precisa e buscando proteger a todos sempre que é chamado, mas também é vendedor, pois busca constantemente chamar novos fazendeiros para assinar seu Chamado.


Annileen é a dona de um armazém, o maior do Oasis, onde ela vende todo tipo de coisa – desde roupas até armas e peças robóticas. Annileen é uma pessoa extremamente paciente com seus consumidores, mas sempre que seu filho chega de alguma aventura, para a qual ele não tinha nem permissão de ir, ela imediatamente o coloca de castigo – ou o ameaça de morte, um dos dois. Ela é minha personagem favorita deste livro; e estou considerando em chamar minha segunda filha, se um dia tiver, de Annileen.


Depois de uma briga, a filha de Annileen decide montar o costa-de-orvalho mais selvagem que possuem em seus estábulos. Claramente, não dá certo, e ela é obrigada a partir atrás da menina para salvá-la da besta. Quando elas entram em um campo onde há Sarlaccs adormecidos, Kenobi as vê e parte para ajudá-las, e impedir que elas se matem. Ele consegue com a ajuda da Força.


SPOILER ZONE - VOCÊ FOI AVISADO

Annileen, assim que conhece o ermita, passa a gostar dele. E por isso, o trata de uma maneira diferente dos outros fregueses de sua loja. No entanto, Kenobi está ali apenas para proteger Luke, e qualquer distração – principalmente uma que vai contra tudo que ele aprendeu em sua vida como Jedi – não são bem-vindas. Até mesmo um Jedi precisa de suprimentos para sobreviver e cada uma de suas visitas ao Oasis é marcada por uma confusão diferente. A pior delas, um ataque em massa dos Tuskens.


Ao mesmo tempo em que precisa esconder sua identidade, ele consegue ajudar e salvar algumas vidas, afinal, seu chamado é o de salvador. Durante toda a história do livro, vamos conhecendo mais sobre a vida e a cultura as pessoas de areia; alguns conflitos são apresentados, principalmente envolvendo Annileen e seu armazém – em um momento, ela precisa de um rifle para impedir que as pessoas comprem coisas direto dos Jawas, já que ela é quem negocia com os baixinhos e revende os produtos em seu armazém; vocês gostam da Mulher Maravilha? Annie é tão porreta quanto. Outros conflitos, principalmente internos de Obi-Wan, mostram claramente o arco pelo qual os personagens passam.


Aos poucos, no entanto, vamos conhecendo mais sobre Orrin e seus negócios. Ele compra para Annileen uma viagem para Mos Eisly, apenas para que ele possa descobrir como estão as finanças do armazém e da mulher e como isso pode salvá-lo da dívida que ele tem com Jabba, o Hutt. Sim, aquele Jabba. Mesmo não vendo aquela imensa lesma, nós sentimos sua presença a partir do momento em que descobrimos a dívida de Orrin. O plano de Orrin é casar-se com Annileen, para usar o dinheiro e crédito dela para quitar suas dívidas e salvar sua própria vida; mas ela é boa da cabeça. Não aceita.


Desesperado, Orrin, usando uma roupa de Tusken, ataca outro rico fazendeiro que se recusa a assinar o Chamado – o que seria outra solução para seus problemas. Este ataque, quase tirou a vida do filho de Annileen. O menino fora salvo por Obi-Wan.


É aqui que vemos a principal mudança em Obi-Wan. Até então, ele vinha negando seu chamado para se envolver com aquelas pessoas. Ele tinha que proteger Luke, afinal, ele seria o grande salvador da galáxia. Sua missão ali era cuidar do futuro – do bem maior. Mas ali, ao salvar o menino, ele percebe que também existem pequenos conflitos. Que ele pode ajudar as pessoas sem precisar ser um General ou lutar em grandes eventos que mudarão o destino do universo. As pequenas lutas também são importantes.


Neste ponto, o twist do livro já passou. Descobrimos que o verdadeiro vilão da história não é A'Yark ou, até mesmo Jabba, mas sim Orrin. Ainda resta o conflito final e UAU, acho que é o melhor final de livro que li em 2020 – há batalhas, reviravoltas, chegadas inesperadas e uma surpresa que não irei revelar aqui. Não vou estragar o final para vocês.


Kenobi é dos livros que mais desafiaram meu gosto por Star Wars. Tudo acontece em um deserto, onde supostamente, nada acontece. Que tipo de conflito pode haver? De personagens, é claro. Não é uma história sobre salvar o mundo ou um escolhido destinado a salvar Tatooine ou destruir o Império.


Este livro é uma história sobre personagens, e mesmo aqueles que aparecem pouco, tem personalidades distintas e todos eles trabalharam para melhorar os principais, que são ainda mais profundos. Eu nunca imaginei o que poderia sair dessa história, e fiquei extremamente surpreso. O que me deixa muito mais animado para saber como será a série Obi-Wan Kenobi pelo Disney+.


Dou a este livro 5 de 5 Týrs e não poderia recomendar mais! Se você é fã de Star Wars, não se prenda apenas ao canon, pois essa história Legends é tão boa quanto. Além do mais, como disse Ahsoka Tano, “sempre há um pouco de verdade em lendas”.


Já leu este livro? O que achou? Conte nos comentários!


Um forte abraço e nos vemos em breve,

Leandro Zapata

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