Entrevista com Andrea Larrubia

No dia 17/08, como sabem, será a SevenCon! Durante o evento, teremos um bate-papo com alguns autores convidados. Para conhecê-los melhor, uma série de perguntas foram feitas a todos eles!

Venham conhecer Andrea Larrubia, autora do conto Eu e a Imensidão na antologia Admiráveis Mulheres!

P: Como você se mantém inspirado? Você tem algum autor ou autores quem você sempre lê?

R: Pensar em criar, imaginar, desafiar-me tirando de mim algo novo é o que mais me inspira a escrever. Um livro que muitas vezes volto a ler é Senhora do José de Alencar.


P: Como costuma ser o seu local de escrita? Além do óbvio, há algo de diferente ou incomum em sua mesa de trabalho?

R: Gosto de estar ao ar livre para escrever, vendo o céu, alguma paisagem. Não tenho uma mesa para trabalho, e isso me deixa um pouco desconfortável fisicamente ao escrever.


P: Você prefere silêncio ou algum tipo particular de música quando escreve?

R: Para criar, eu gosto do silêncio. Mas procuro antes de iniciar algum trabalho, músicas que me inspirem para que eu vá entrando naquele lugar que está sendo imaginado. Quando finalizo o trabalho, escrevendo em silêncio, reviso com a música que me inspirou, e esta ajuda-me a adentrar na história criada.


P: Como você se organiza para um dia produtivo?

R: Organizo as ideias mentalmente, passo para o papel, para que quando houver um momento em silêncio eu possa escrever.


P: Você mantém uma programação de escrita rigorosa?

R: Não. Respeito os momentos em que me sinto inspirada.


P: Quanto/as tempo/palavras você precisa escrever até achar que concebeu algo?

R: Depende de eu ter sentido que as ideias e elementos se encaixam. Quando isso acontece, o texto flui tranquilamente e considero ter concebido algo que me deixa satisfeita.


P: Algum autor influenciou você mais do que outros?

R: Rubem Alves, Antoine de Saint-Exupéry, James Matthew Barrie e Beatrix Potter.


P: Quem são seus escritores favoritos?

R: Não posso dizer que tenho autores favoritos, mas sim trabalhos específicos, como uma série de contos infantis do Rubem Alves, O Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry, Peter Pan de James Matthew Barrie e Senhora do José de Alencar.


P: O que motiva você como escritor?

R: Criar mundos, pessoas, lugares com a minha sensibilidade, vendo isso como único é incrivelmente motivador para mim.


P: Você costuma ler tudo antes e só então escreve, de uma vez?

R: Costumo escrever todo o texto e depois leio tudo de uma só vez. Se eu travo em algum ponto, aí sim volto a ler todo o texto.


P: Você vai escrevendo na medida em que lê ou espera acumular fichamentos e notas?

R: Não uso ficheiros ou notas. Eu escrevo na medida em que tenho algumas ideias e imagens. Vou escrevendo e essas ideias vão sendo desenvolvidas no ato da escrita, de maneira que eu ligue cada imagem que eu tenho visualizada.


P: Que conselhos você daria a um jovem escritor?

R: Que leiam o máximo que puderem e escrevam. Se julgarem que não está boa a escrita ou o texto, continuem a escrever e a melhora virá com o trabalho. Se abram à vida ao novo, para que esse novo possa enriquecer seus trabalhos.


P: Como você desenvolveu suas habilidades de escrita?

R: Assisti a um filme sobre a vida da Beatrix Potter (Miss Potter). Este filme e o amor por meus animais impulsionou-me a começar a escrever contos infantis e foi escrevendo-os, motivada por cada mensagem que queria passar que a habilidade surgiu. Com os poemas, a habilidade veio da necessidade de expor um sentimento, angústia, sensação do determinado momento presente.


P: Qual dos seus textos deu mais trabalho para escrever?

R: Um conto infantil chamado A Rosa do Sonho. Este conto deu muito trabalho, pois comecei a escrevê-lo quando estava num local inapropriado para mim, com muito barulho e movimentação de pessoas. A ideia ficou confusa e para deixar tudo bem claro e coerente, segundo os apontamentos da minha revisora, exigiu muito trabalho, voltando o texto diversas vezes a mim até que ficasse bom.


P: O que você faz para recarregar as baterias? Qual a sua maneira favorita de passar um dia de folga?

R: Para recarregar as baterias, gosto de sair e assistir a algo de arte (show, ópera, teatro, saio para dançar, vejo espetáculos de palhaço), aproveito para estudar canto lírico. Nos dias de folga gosto de dançar ou saio para caminhar descalça num parque.


P: Quais foram alguns dos seus desafios mais difíceis na vida de autor?

R: Um grande desafio que eu tive foi trabalhar na correção dos contos infantis. Minha revisora fazia os apontamentos e eu fazia as alterações. Entrando com a análise, era como se eu entrasse num texto que não era meu, tão absurdamente diferente do criar, onde a escrita flui livremente. Para mim o maior desafio é esperar o momento até ver o livro publicado; o que há entre a escrita e a publicação de um livro impresso (que envolve capital para poder concretizar um projeto). Ver ali, aquele trabalho feito com tanto carinho, dedicação, sem estar publicado é bastante difícil.


P: Você tem algum ritual incomum associado ao seu processo de escrita?

R: Quando eu morava sozinha, eu tinha um ritual: esperava toda a rua silenciar, abria a porta da minha sacada, e dali eu conseguia avistar algumas árvores. Pegava meu notebook e um copo de suco de uva integral e assim começava a escrever.


P: Você costuma escrever em conjunto com outros autores? Como isso funciona para você?

R: Nunca escrevi com outros autores. Deve ser uma experiência maravilhosa e desafiadora, já que envolve mais de um raciocínio, lógica, maneira de escrever.


P: Quem são as primeiras pessoas a ler seus escritos antes de enviá-los para publicação?

R: Costumava mostrar meus poemas e contos infantis a amigos. Tenho alguns amigos escritores que eventualmente leem algo que escrevo, mas não tenho como costume.


P: Você mantém um leitor ideal em mente quando escreve?

R: Não penso num leitor ideal.


P: Como você escolhe os temas para suas histórias?

R: Quando me sinto motivada a passar alguma mensagem que eu tenha sentido, dali sai o tema.


P: Como você desenvolveu um estilo pessoal?

R: Iniciei com os contos infantis, e após assistir ao filme Miss Potter, procurei não ler material infantil de nenhum escritor, até mesmo os dela, para colocar no meu trabalho exatamente o que era sentido por mim, querendo propositalmente não parecer-me com o trabalho de outro escritor (de certo isso acontece, mas deixei que acontecesse naturalmente).


P: O que você faz quando se sente travado?

R: Paro de olhar pro texto. Saio, assisto a algo de arte (gosto de peças infantis, ópera, espetáculos de palhaço), danço. Coloco o que for possível de arte naquele momento e quando volto no texto, estou mais leve e despreocupada, e me ajuda a ter novas ideias.


P: Você prefere ter vários projetos acontecendo ao mesmo tempo?

R: Gosto de finalizar a escrita de cada projeto antes de iniciar outro.


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Um forte abraço e nos vemos em breve,

Leandro Zapata

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